Visitamos quatro propriedades rurais. Nem haveria sido necessario tanto, ja que, com a primeira propriedade, foi amor aa primeira vista.
O flerte teve inicio minutos antes de chegarmos ao local: começamos a suspirar quando se descortinaram colinas roliças de grama repletas de florezinhas amarelas. Viva a primavera! O céu nao poderia haver estado mais azul, nem a grama mais verde, nem as florezinhas mais adoraveis. A essa palheta se adicionavam arvores frutiferas no esplendor de sua floraçao ou branca ou cor-de-rosa.
A propriedade em questao consiste em duas construçoes antigas - uma casa e um celeiro, ambos do século XVIII -, feitas em pedra e madeira; e uma casa do séc. XX, menos charmosa, mas mais habitavel. Ha uma pequena area arborizada, ja pronta para receber a funçao de camping; um galpao para ferramentas; e bastante area livre.
O assentamento esta no topo de uma colina, dividindo-o com algumas outras poucas casas, e ha vistas que se abrem para campos mais além.
Como nao poderia deixar de ser, na parte mais baixa corre um regato.
Quando o Wilbert perguntou minha opiniao, a resposta vaio apenas somar-se a aquilo que eles claramente sentiam: nao era necessario nenhum esforço da imaginaçao para ve-los ali instalados; seu albergue funcionando, o camping sendo utilizado, as galinhas cacarejando, a horta florescendo, o jazz cigano tocando, o fogo crepitando, as estrelas cintilando, sua longa mesa de madeira recebendo aqueles que querem desfrutar de uma cozinha/taberna aa moda antiga, com forno aa lenha e produtos frescos.
Confesso que, ao ve-los tao perto de realizar seu sonho, me perguntei a que distancia estarei de realizar os meus, que tem esboços firmes e contornos ainda incertos.
Das quatro propriedades, o objetivo era encontrar uma internet para mim, missao nada facil nesses cafundos da Limousin. Foi um ingles, dono de um bar, que me cedeu seu lap-top, com muita simpatia, ao preço de algumas Oranginas.
Meu plano era comprar uma passagem de trem Grenoble (FR) - Cinqueterre (IT). Pensei passar o fim de semana neste fantastico conjunto de vilazinhas de percado aa beira mar, com bosques, penhascos, casinhas coloridas e muito molho pesto. De forma que a minha missao era encontrar um hotelzinho bacana, onde pudesse pernoitar duas ou tres vezes.
Acontece que tudo o que encontrava era ou caro ou brega. Onde foi parar a simplicidade elegante!? E eu tinha chegado à conclusao de que, ja que estaria sozinha, que fosse num quarto que me agradasse. Com companhia, é mais facil acampar, passar a noite em claro, ficar em lugar brega... Mas assim, de estréia, e sem ninguém para rir comigo da decoraçao brega, queria, repito, um lugar bem aconchegante.
E foi nessa busca que passei muitissimos minutos improficuos.
Eu me sentia apressada por meus acompanhantes que, de boa vontade, tomavam suas Oranginas e conversavam com o agente imobiliario. Fui ficando meio nervosa e atrapalhada, e decidi chegar primeiro a uma grande cidade, para que, pela manha, pudesse calmamente decidir onde me hospedar em Cinqueterre, fazendo necessarias chamadas a preços locais e etc.
Escolhi Genova, que também esta no litoral da Liguria, perto das tao benquistas vilazinhas.
(Pelo o que vi nos guias, a cidade nao parece ser la muito atraente. Alias, eu e as cidades portuarias; Rotterdam, Hamburgo e, agora, Genova. Mas confesso, ca entre nos, que o que deu o empurraozinho final para a escolha do pouso foi o fato de o Cristovao Colombo ser, supostamente, de la. Eu sei que isso é bobagem, que eu nao vou encontra-lo pelas ruas, mas, po, é ou nao é uma cidade que, por sua causa, ouvimos falar desde a segunda série do primario!?)
Vi que o trem ia chegar tarde, oito e meia da noite. Como li, também, que ela nao é das cidades mais seguras, meu parametro para a escolha do hotel foi a proximidade em relaçao à estaçao de trem. Foi assim que acabei reservando, às pressas, um desses hotéis de rede, basicos. Que falta de charme, nao? Pelo menos, esse fica em um edificio antigo, exemplo da arquitetura de estilo tal, que nem me lembro mas que, se valer a pena, eu conto mais adiante.
Saindo, entao, do bar do ingles com internet, dirigimos por umas tres horas sentido leste - ou, leia-se, Italia.
Foi interessante ver a paisagem mudando, entre uma dormida e outra, dos idilicos campos de frescos verdes primaveris, para montanhas cobertas por pinheiros, com uma gama de cores mais restrita e de tons mais escuros. A arquitetura também foi mudando, aos poucos. Embora ainda de pedras, parece que as casas iam adquirindo a tipologia das construçoes de madeira germanicas.
Nao era uma regiao muito turistica e, por isso, tivemos dificuldade em encontrar um camping. Chegamos em um com os ultimos raios de sol. Ele estava fechado, pois ainda nao é época, mas nos deixaram entrar, mesmo assim.
Assamos linguiças e pimentoes, e tomamos cervejas em nossa ultima noite juntos. O céu estava superestrelado.
Dormimos mal: eu com frio, O Wilbert com dor de cabeça, e a Theresa com o bebe chorando.
Na noite seguinte eu haveria pisado na Italia pela primeira vez.
Verdejantes campos da Limousin; florezinhas deram as boasvindas aa familia.
"O galinheiro pode ser ali..."


Eu também não sei se estou perto ou longe de realizar sonhos... acho que alguns são feitos só pra se sonhar mesmo... enquanto outros se realizam sem a gente ter que fazer nada, e outros ainda que a gente tem que batalhar muito pra conseguir...
ResponderExcluirEnfim, vou ali sonhar! Mal posso esperar pela Itália!
Bjos
Gaubi