tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei dêsse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
- Carlos Drummond de Andrade
Pela manha, seguimos rumando ao leste.
Fazia sol, mas o céu nao estava azul, e sim maquiado por uma neblina distante e difusa, destas que produzem calor.
Depois de umas horinhas, falou a Theresa:
- Mariana. La. Na linha do horizonte. Nao da para ver, por causa da neblina... mas tenho a impressao de que ha uma impressionante silhueta de montanhas, à frente.
Seriam os Alpes.
- Voce ve alguma coisa?
Entao foi muito louco, porque comçamos a ter ilusoes de otica. Pensavamos ver de relance paredoes absurdos ao horizonte, que, logo, desapareciam.
Meia hora passamos na pirante incerteza, até que a cadeia de montanhas foi se tornando definida, em camadas sucessivas. Umas linhas mais proximas, outras mais afastadas, outras mais ainda, e aquelas que deviam estar no reino da fantasia - ou nao.
Sera que aqui podemos estabalecer uma metafora com aquilo dos sonhos, e de torna-los realidade, que comentei no post anterior?
Logo estavamos dirigindo por entre sensacionais maciços de pedras, e avistando picos nevados ao longe.
Eles me deixaram em Grenoble, cidade rodeada por altas montanhas. Eles contaram que esta é a cidade buscada por aqueles que querem ter um trabalho "sério", em uma empresa, mas que curtem a natureza e os esportes radicais.
De cara, achei as pessoas mais bem humoradas do que aquelas com quem cruzei no restante da França.
Esperava o trem na plataforma, quando foi anunciada a mudança da mesma.
Aconteceu algo, entao, que me deixou chocada.
Eu levava duas mochilas e uma mala (uma mochila média de roupas, uma pequena de artigos variados e uma mala com barraca e colchonetes, para acampar na Toscana, mais tarde).
Eis entao que uma menina me ofereceu ajuda para carrega-las de uma plataforma à outra.
Nao sei se dito fato causa ao leitor semelhante espanto.
Mas eu, depois de tres anos de Holanda, onde uma pessoa é invisivel à outra, fiquei bastante impressionada, para nao dizer desconfiada (aqui foram os 25 anos de Brasil que falaram), com a menina levando minha mochila. E me ajudando com a mala ao subir as escadas.
Deu tudo certo; menos com o trem.
O bichinho atrasou e, com isso, eu perdi todas as conexoes que me levariam a Genova.
Toca resolver a situaçao na primeira parada, valendo-me de meu crassissimo frances. Com muita paciencia, o homem da cia. de trem fez todos os malabarismos necessarios para que eu chegue, ainda hoje, à cidade de Cristovao Colombo.
Agora estou, a horas, esperando e escrevendo (sempre a mao, em um caderno), na estaçao de trem de uma tal de Chambery-Challes, em plenos Alpes Franceses.
O povo aqui fala bonjour e au revoir e eu me sinto bem satisfeita com isso.
Ja nao era ilusao...
no meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra.




To adorando suas estórias... E você tá linda de vestidinho e echarpe... Parece mesmo uma francesinha! Beijos,
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