sábado, 23 de abril de 2011

Homenagem ao Cansaço

Nossa!
Enquanto o sol estava brilhando e o céu estava azul, achei os Alpes algo de deslumbrante.
Porque são, mesmo; um colosso da natureza.


Fortes silhuetas entrecortadas por milhares de pinheiros;
Montanhas verdes-escuras salpicadas por arvores brancas, frutos da primavera;
Caudalosos rios serpenteando mansamente;
Vaquinhas de leite cremoso pastando à relva;
Branca neve elevando o olhar ao céu.


As primeiras vilazinhas me parecem muito pitorescas.


Mas houve algo em seu tamanho que, logo, me incomodou.
Elas são tão pequenininhas, e seu espeço fisico é tão completamente delimitado pelas montanhas, que senti um ligeiro aperto.
Não ha linha do horizonte. Nunca.
Ha enormes muralhas de enorme beleza; belas muralhas que projetam sombras tão enormes quanto si.
Se agora, em abril, a luz do sol ja vai cedo demais, imagina a sensação em dezembro; baita escuridão!
Além do que, se um malfeitor decide fechar meia duzia de tuneis e autoestradas, essa gente toda não tem para onde ir! Estariam encerradas no mais espetacular poço da Terra.


E as casas... todas muito parecidas umas com as outras. Nada de errado ai, essa seria a tipologia otima atingida ao longo dos séculos. Mas os telhados... são cinzas.
E as pedreiras... frequentes.


E as gentes, tão poucas que, se voce nasce e cresce ai, participara de um circulo social de poucas centenas de pessoas, a vida toda.
Reconheço aqui minha sindrome urbanoide (da mesma forma que, na India, fui reconhecer meu ocidentalismo).
Reconheço aqui, também, minha necessidade de horizonte (vejam a cidade de onde venho) e de uma geografia mais percorrivel.
Seria baixar com esse pessoal para o mar para ve-los, provavelmente, sentirem-se desprotegidos.


Fico olhando também as obras civis, como as relacionadas ao sistema ferroviario, e, de alguma maneira, relaciono essas imagens com outras que ja vi em documentarios sobre a primeira e a segunda guerras mundiais.
Ai tudo aqui ainda fica cheirando a esse passado triste...




Seguramente essas sensaçoes foram potencializadas pelo cansaço.
Eu observava a Peanut, essa semana, no esplendor do seu ano e meio de idade, e o desespero que se abate sobre ela quando ela fica cansada. Chora, berra, esperneia.
Com os anos, a gente aprende que não pode fazer essas coisas sempre que da vontade; mas, vendo-a, combinei comigo mesma que, a partir de agora, vou entender e aceitar o poder do cansaço sobre minhas emoçoes.
Embora não va chorar, berrar e espernear, não vou me espantar ao perceber que gostaria de fazer exatamente isso.


Antes...



e depois.



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