quinta-feira, 5 de maio de 2011

E a Toscana...

Depois das Cinqueterre passei nove dias na Toscana com minha querida amiga Camila.


Dia após dia percebi que aquela experiência seria muito difícil de contar, no blog. 


Uma porque a viagem foi redonda.
Passeamos relaxadas e tudo deu certo.
Tão redondo foi o todo, que muito poucas arestas houve para eu me agarrar e delas criar uma história.


Duas porque a Toscana é absolutamente linda.
E eu acabei achando que seria praticamente arrogante ficar postando descrições sobre como suspirávamos do momento de sair da cama até a hora de dormir.
Fica apenas a dica: se um dia você tiver a oportunidade, venha para cá.


E três porque, viajando acompanhada, a gente perde a inspiradora necessidade de contar aquilo tudo para alguém. A inspiração se volta para outros lados e o caderno fica lá, no fundo da mochila.
Desde o começo da entressafra, estou bastante consciente de que o blog é uma forma de não viajar sozinha. Ou melhor: é uma forma de viajar só, e muito bem acompanhada!




Mas duas coisas sobre a Toscana eu tenho de contar.


Não em Florença, mas em todas as outras cidades menores, o gelato era bom, mas tão bom, mas TÃO BOM, que eu e a Camila às vezes fazíamos cara ruim, ao tomar, e nos entreolhávamos entre a descrença e a perplexidade.
Com ele, se inaugurou em minha vida um novo parâmetro para classificar a delícia de uma comida.
Em um crescente: há a comida que provoca elogios; há aquela que nos faz calar e apenas emitir grunhidos de satisfação; e há, finalmente, a que nos faz exclamar palavrões.


Não se ofenda se eu não praguejar à sua mesa.
Até hoje, apenas o cremoso gelato italiano mereceu.




Outra coisa é sobre o fato de que, ao longo dos anos, a maneira de comer minha e da Camila se diferenciou muito.
Ela refinou seus hábitos, passando a escutar sutis mensagens de seu corpo. Tornou-se mais seletiva na qualidade e mais precisa na quantidade. Sua unidade de medida, hoje em dia, refere-se à garfada. Se fosse eu, teria de contar de dez em dez.
Algumas vezes, quando jantávamos na Toscana, uma garfada após a outra ela descrevia os ingredientes, as texturas, os temperos e etc. Eventualmente, me perguntava o que eu estava achando.
- Parece comida da mamãe!, eu engolia para responder, limpando o que restava do molho no prato com um pedaço de pão.






Idílio bucólico na Toscana.

Pitigliano - a rocha que se transforma em cidade sob a ação do agente humano.

Raios de sol vencendo as estreitas vielas medievais 
na mais bela praça que ja vi, em Siena.

Cena flagrada pela Camila - chuva em Volterra.

Campos antes da semeadura.


O primeiro anfiteatro romano que vi na vida, em Volterra.

Siena.

Igrejinha em Monteriggione.

Torres em San Gimigniano.

Um comentário:

  1. É afilhada, o mundo é grande e aos pouco você esta conhecendo-o. Posso dizer sem medo de errar que você é uma cidadã do mundo. Você esta conhecendo muitas coisa e quem tem conhecimento vive melhor. Estamos aguardando para contarmos causos e cantar "Alecrim, alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado"; é de fato uma pela cantiga do nosso folclore que nos faz viajar para momentos muito distante. Volte logo!!

    Beijos

    Titonho

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